América Latina muda estratégia de guerra às drogas: Legalize!


Foto: r0bz

A notícia pode ter escapado ao conhecimento da mídia fora da América Latina, mas o anúncio da semana passada de que três dos ex-presidentes da região se reuniram para pedir a descriminalização da maconha mereceu análise de primeira página no México.

Ernesto Zedillo, Fernando Henrique Cardoso e Cesar Gaviria, ex-presidentes do México, Brasil e Colômbia, respectivamente, fundaram e atualmente atuam como co-presidentes da Comissão Latino-Americana de Drogas e Democracia.

A Comissão, cujos 17 membros representam o creme de la creme intelectual da América Latina (incluindo os escritores Tomas Eloy Martinez da Argentina, Mario Vargas Llosa do Peru e Paulo Coelho do Brasil), tem estudado o problema das drogas nas Américas, e recentemente Chegou à conclusão de que a própria estratégia da Guerra às Drogas é a maior culpada pela persistência dos males relacionados às drogas na região.

Em seu relatório, "Drogas e democracia: em direção a uma mudança de paradigma", a Comissão escreveu:

“A revisão profunda das atuais políticas de drogas é ainda mais urgente na América Latina, à luz de seus enormes custos humanos e sociais e das ameaças às instituições democráticas.”

Os ex-presidentes e seus companheiros membros da comissão não negam os problemas perpetuados por seus próprios países, nem atribuem a culpa a nenhum outro país. Em vez disso, os membros do LACDD desafiam os “preconceitos, medos e visões ideológicas” que servem para “inibir o debate público”, uma condição, dizem eles, que só torna mais perigosos nossos problemas sociais mútuos.

Além de encaminhar algumas visões bastante radicais do tratamento de drogas (ou seja, ver o uso de drogas e seu tratamento como um problema de saúde pública, não um problema criminal), o LACDD pede que se estude a viabilidade de descriminalizar a maconha e instituir programas de maconha medicinal para os pacientes com problemas de saúde legítimos que podem ser atenuados pelo uso de maconha.

Embora o relatório não diga isso, a descriminalização da maconha - se de fato ocorrer - pode ter outras implicações positivas para a América Latina também. Dado que a maconha continua difícil de ser obtida legalmente na maior parte dos Estados Unidos, os países latino-americanos que descriminalizam a maconha podem ver um aumento no turismo. Que bien!


Assista o vídeo: O QUE É GUERRA ÀS DROGAS? DESENHANDO


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