Encontrando minha boca no México


Não há sinais no México, pelo menos nenhum que não esteja desatualizado ou involuntariamente engraçado. Minha favorita era a placa na praia de Chacala que dizia que mascotes não eram permitidos. (Mascota é a palavra para animal de estimação em espanhol.)

Foto: Wonderlane

Não é fácil para alguém como eu se acostumar com um lugar onde você não consegue encontrar as informações de que precisa por escrito. Sou conhecido por ler manuais de software de capa a capa. Quando quero saber alguma coisa, procuro na internet ou compro um livro. Espero panfletos, placas e muitas letras miúdas.

Não é assim no México. Lupe, a mulher que cuidava da Casa de Tortuga, me explicou: “él que tiene boca, llega a Roma. ” Literalmente, significa que quem tem boca chega a Roma. Em outras palavras, você precisa perguntar a alguém.

Chegando ao aeroporto de Puerto Vallarta, dezenas de taxistas desceram sobre nós perguntando para onde queríamos ir. Não havia placas afixadas, mapas de zonas, nenhuma lista impressa dos regulamentos de táxi distribuída aos turistas. Só precisa perguntar a alguém.

Foto: Susi Watson

Eu até desabei e fiz um tour, principalmente porque não queria ter que dirigir até Tequila, no México (por razões óbvias). Em vez de enfiar o nariz em um guia do dia, conheci algumas pessoas muito legais.

O guia turístico e eu conversamos sobre tudo, desde os murais de Orozco até como eu seria a primeira colhedora de gringa de morango em Irapuato, no México. Foi uma explosão. Compare isso com os “passeios” nos museus dos EUA hoje em dia. Cada um de nós anda com seus próprios fones de ouvido. Nós nos movemos juntos, mas não temos nenhuma interação humana.

Comecei a perceber o quanto toda a nossa vida é destinada a evitar falar com as pessoas. Nossos passeios são registrados. Nossos telefones são atendidos por máquinas. Nossas discussões políticas acontecem por meio de computadores. E eu me pergunto por que sou socialmente retardado.

Quando cheguei à Cidade do México, era uma nova mulher. Eu estava falando com todo mundo. Eu sabia quanto os motoristas de táxi pagavam pela gasolina. Eu sabia quantas vezes o motorista do ônibus havia tentado obter um visto para visitar a família nos EUA. Eu sabia o quanto isso custava a ele cada vez que ele era recusado. Eu sabia muito e nada disso exigia leitura.

Meu hotel na Cidade do México foi dirigido por voluntários do American Friends Service Committee. A maioria deles era dos Estados Unidos.

Uma tarde, perguntei à moça da recepção como chegar a algum lugar.

Sem levantar os olhos do que estava fazendo, ela apontou para a estante de livros do outro lado da sala e disse: "Eu geralmente procuro em um desses guias."


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