Notas sobre um homem nu em Calcutá


Robert Hirschfield descobre que “nosso marco existencial está sempre mais perto do que pensamos”.

PERTO DE UMA rotatória movimentada em Calcutá, um homem estava sentado nu no chão quente. Seu cabelo estava emaranhado e seus olhos não estavam onde ele estava.

O que fazer com este homem? Estou além do ponto em que um homem nu em uma rua de uma cidade na Índia é mal traduzido em meu cérebro como um homem santo. Nenhuma roupa igual ao infinito. Homem andando com Deus. Ele não é um Naga Baba. Ele está tão distante de sua nudez companheira quanto eu dele.

Nesta tarde quente de Calcutá, com minha parceira dormindo em seu estúdio na neve selvagem de Connecticut, sua desolação se infiltra em mim, conecta-se com minha própria pedra negra flutuante.

Ele me lembra que nosso marco existencial está sempre mais próximo do que pensamos. Ele me lembra meu antigo sonho de ansiedade, um clássico: estou em uma rua movimentada, vestido apenas de cueca. Estou tentando agir com naturalidade. Dentro de mim, vergonha, mistificação, necessidade de estratégia. Minhas roupas têm que estar em algum lugar. Eu sou um galho da árvore de Kafka.

Em comparação, sua nudez parece tão vazia. Uma caverna coberta de cabelos emaranhados, pele negra, o longo sino de seus genitais.

Eu queria que eu, como os Calcutá, pudesse simplesmente passar por ele, os olhos desviados. Calcutáes são evitadores experientes. Seus gestos faciais são desligados como telefones celulares em cinemas para lidar com as turbas no metrô, nos cruzamentos de ruas, em quase qualquer lugar. Um homem nu em público é uma turba solitária. Um saqueador do espaço. Um pirata acidental.

Eu não gosto do que se move dentro de mim por causa dele. Sentimentos despidos de suas folhas protetoras. Eu me vejo encalhado neste deserto com sua única árvore morta contendo partes de mim.

Conexão da Comunidade

Para mais informações, consulte a Página em Foco do Matador na Índia.


Assista o vídeo: Bolsonaro e Guedes interrompem live com a Fiesp depois de homem nu invadir transmissão


Artigo Anterior

Paris em 100 Macarons

Próximo Artigo

Resenha: Mate os períodos de viagens enfadonhos com o Nintendo DS