Grafofobia: o medo de escrever



Foto Tiago Rïbeiro

Paralisia de página em branco. Maldição do cursor pulsante. Juntos, enfrentaremos a grafofobia, o medo de escrever.

É hora de escrever. Espero uma imagem, uma frase, alguma coisa lembrada para empurrar minhas mãos contra as teclas, mas nada acontece. Minhas palmas coçam, tento tomar um gole de uma xícara de café vazia e xingar o cortador de grama do outro lado da rua, que rosna como um cachorro mastigando minha massa cinzenta. De repente, sei que nunca vou tirar nada que valha a pena folhear, muito menos ler novamente.

Eu sou péssimo

Em total solidão, o escritor tenta explicar o inexplicável.
- John Steinbeck

Você já se perguntou 'eu sou bom o suficiente? Eu tenho algo que vale a pena dizer? As pessoas vão gostar da minha escrita? As pessoas lerão minha escrita? '

O grande poeta peruano César Vallejo escreveu na primeira quadra de seu soneto “Intensidad y altura”:

Eu quero escrever, mas sai espuma,
Quero dizer muito, mas fico preso;
Não há cifra falada que não seja uma soma,
Nenhuma pirâmide escrita sem núcleo.

Todo escritor luta contra a grafofobia. Você está tentando criatividade e honestidade em um movimento cuidadoso. É como entrar na selva com o cantil meio cheio e sem bússola. Você não sabe para onde está indo ou o que irá encontrar.

Este é o consolo: viemos a este lugar, como escritores, juntos. Atribuímos um nome ao medo, o fixamos com canetas e seguimos em frente, mais para dentro daquela selva escura, felizes com o medo e o perigo. O medo nos diz que estamos nos aproximando do lugar que queremos estar.

Escrever é fácil, você apenas olha para uma tela em branco até que seus olhos sangrem.
-Douglas Adams

Do outro lado da rua, o cortador de grama atinge uma pedra, mas avança.

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Você luta contra a grafofobia e o bloqueio dos escritores? Qual é a sensação? Que exercícios você usa para superar essas lutas? Compartilhe suas experiências nos comentários.


Assista o vídeo: Como perder o medo de errar


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