Carta da carolina do sul


O primeiro e-mail que li quando liguei os laptops na NPR foi de minha amiga Ami, que mora em minha cidade natal, Spartanburg, na Carolina do Sul. Ela compartilhou sua experiência da eleição de 2008 comigo e me deu permissão para compartilhar sua mensagem aqui:

Duas semanas atrás, passamos uma noite com uma mulher da Argentina. Quando perguntamos como ela foi parar em Spartanburg, ela nos disse: "Quem sabe!?!" tipo de encolher de ombros e sacudir a cabeça. Quando lhe perguntamos se a decisão de se mudar para cá foi acertada, ela respondeu que teria de nos responder, enquanto se aguarda o resultado das eleições de hoje. E então ela acrescentou que havia oferecido horas de seu tempo como voluntária nos últimos meses, ajudando pessoas locais nesta comunidade a se registrar para votar. Ela mesma não pode votar hoje. Ela é uma mulher profissional, legalmente neste país, contribuindo para a saúde e o bem-estar desta pequena cidade peculiar, e embora ela não possa votar hoje, ela garantiu que centenas de outras pessoas o fizessem.

Na semana passada, meu pai foi tentar votar. Ele teve autorização para votar no início deste ano. Ele saía do trabalho todos os dias, um dia pela manhã, outro dia à tarde e outro dia à noite para tentar votar. Meu pai leva o voto muito a sério. Ele acredita plenamente no seu direito de manifestar sua opinião e espera que ela conte. E a cada dia, em um local de votação designado aberto para os primeiros eleitores, ele se afastava porque a fila era tão longa que ele não conseguiria esperar.

Ele finalmente votou na sexta-feira. Ele ficou na fila por 3 horas. Ele disse que gostou. Meu pai odeia esperar. E ele disse que não se importava com um único minuto disso.

Esta manhã levantamos bem antes do nascer do sol. Bem antes da abertura das urnas às 7h. Rolamos para fora da cama, pegamos roupas quentes, sapatos confortáveis, algumas revistas, uma barra de granola e uma garrafa de água. Brincamos que talvez estivéssemos exagerando em nossos preparativos. Esta pequena cidade não é exatamente conhecida por sua participação mais saudável. Antes que pudéssemos ver a igreja onde fomos designados para votar, pudemos ver os carros. Em toda parte. (Eu senti pena dos proprietários de pequenas empresas ao redor que não tiveram a chance de entrar em seus estacionamentos hoje). Rimos um pouco mais, mas desta vez com um pouco de admiração, com um pouco de apreciação, com um pouco de esperança, e murmuramos baixinho "Amém".

Fiquei na fila por 2 horas e meia esta manhã. Enquanto o sol nascia. Na manhã fria e úmida. E enquanto as pessoas se apresentavam, compartilhavam o jornal e lamentavam a xícara de café que gostariam de ter trazido, não pude deixar de sorrir.

Foto: Barack Obama (Flickr creative commons)


Assista o vídeo: Lugar de GENTE RICA. Hilton Head - CAROLINA DO SUL


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